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domingo, 24 de abril de 2016

Educação democrática e revolucionária

O contexto atual da educação é direcionada para se chegar a uma escola que proporcione ensino de qualidade, respeitando a heterogeneidade e a individualidade da comunidade escolar. A educação democrática passa pela autogestão, afinal de contas a escola não precisa de chefe. Gestores e professores precisam promover a integração.

A ideia colaborativa precisa prevalecer sempre, já que é preciso prazer na transmissão e recepção do conhecimento. Não pode haver hierarquia no conhecimento. Se acredita que o conhecimento traz alegria, prazer, e por isso as pessoas se envolvem com ele e assim as punições passam a ser desnecessárias.

Também permanece viva a velha fórmula que prega a necessidade constante da comunidade local estar envolvida com a escola. A ideia de que os moradores e país precisam estar e usar a escola continua valendo e é fundamental necessidade. Pelo direito constitucional a escola é uma instituição educacional em que os cidadãos constante precisam ter acesso para que se apropriem da cultura.

Porém, a qualidade é hoje uma exceção no Brasil, não apenas em escolas, mas também em hospitais e governos das diferentes esferas. As escolas de qualidade estão escassas, enquanto que as instituições de ensino públicas estão em fase de extinção.

Mas, o aluno querendo, independe das condições, o aluno pode fazer muito mais do que foi feito até agora. É uma questão de vontade. A conquista profissional ou da cidadania é algo de depende de cada pessoa e quem a busca pode fazer a diferença.

A partir disso tudo, o professor pode se vingar da maior parte da corja que nos governa – indiferente da esfera – a partir de uma única ação: proporcionar uma aula de qualidade. Uma boa e diferente aula para formar um pensamento crítico é garantir que a maioria dos políticos que hoje não nos representam nunca mais voltem a estar à frente do país. A maior vingança de um professor é ser um excelente profissional. Assim se destrói o que estava acabando com o Brasil. Educação é o caminho, pois educar é um ato revolucionário.




segunda-feira, 21 de março de 2016

Instituição escola ameaçada

A escola, como instituição ocidental moderna, perde poder no mundo líquido. O termo cunhado pelo sociólogo Zygmunt Bauman explica a sua própria maneira pós-moderna o fracasso das grandes ideologias. Mesmo nesse mundo interligado e conturbado credito grande poder as instituições, mas é também imprescindível que ocorra uma renovação na forma de associar e transmitir o conhecimento. Ficar centrado no modelo industrial do século XVIII - com carteiras enfileiradas e apenas uma voz dominante - é passado. Apesar dos docentes concordarem com essa medida, poucos pensam em estratégias para conseguir a atenção do aluno.

Imaginar que essa ação será conseguida por meio da repressão é tempo de outrora. Na escola moderna ou em períodos ditatórias reprender os jovens era possível, mas não eficiente. Quando a dita autoridade se afastava da vigilância do grupo atrocidades era a consequência. Apenas na negociação, na exposição da realidade é que a expressão “vigiar e punir”, de Michel Foucault, deixará de ser a tônica da relação.

Imaginar que estudante interage com todo o seu potencial em aulas em que se mistura slides ou vídeos é pouco provável. Isso tudo os meios de comunicação e a internet fazem de forma magistral. É preciso professores com empatia, mas acima de tudo que não transmitam o conhecimento como forma de vencer o conteúdo. É preciso um professor que tenha a opinião. Que saiba moderar debates na turma envolvendo a realidade local e o regional. Alunos querem um profissional democrático e que saiba projetar as consequências dessas medidas no dia a dia.

Existe um verdadeiro perigo a vista sobre a nova função da escola. Muitas disciplinas – por meio dos diversos legislativos - são incorporadas no currículo. Interferências legais na pedagogia são uma realidade, porém nada disso, pode ser usado como pretexto para deixar os aprendizes sem as explicações para o mundo. É provável que o aluno esteja exposto a mais informação em apenas um dia sobre uma ação especifica do que o professor na mesma situação na naquela idade.

Aqui não é uma crítica ao profissional professor, mas a lenta resposta dos governos para melhorar a didática das aulas a partir da reformulação dos currículos das universidades. É uma crítica a maioria das instituições de ensino superior que não usam da premissa que inserir conteúdo local na formação dos futuros docentes. Uma crítica aos estados ditos democráticos de direito que enfraquecem a educação, aumentam a burocracia, para aumentarem seu controle sobre cidadão, como destaca Karl Weber (1864-1920).

Um profissional que tem potencial para voltar a ser uma marca no cotidiano dos estudantes precisa receber mais atenção em todos os momentos da concepção universitária, da atuação e formação continuada. Assim o novo modelo educacional, curricular e pedagógica é a reafirmação da necessidade da emancipação cidadã que envolva todos os atores envolvidos para finalmente alcançar a grande meta da pátria educadora.

domingo, 6 de março de 2016

Trânsito: educar, para salvar vidas

Pelas contas da Organização Mundial de Saúde, morrem no trânsito cerca de 1,2 milhão de pessoas por ano no mundo. São 34 mil só no Brasil, o equivalente a 85 Boeings 747 lotados. Essa guerra só tende a piorar, pois segundo as estatísticas, o trânsito será a terceira causa de mortes no país a partir de 2020.

Educar e multar são duas importantes tarefas, que pela lei e pela lógica, devem ser concomitantes. Fui defensor de multar, pois é uma forma respeitar quem faz o correto. No Brasil, a sociedade e poder público, em sua grande maioria, defendem apenas que as multas de trânsito são uma maneira de educar. Que o motorista multado não vai repetir o erro por sentir a dor no bolso.

Alguns afirmam que ver a placa, mas não o guarda por perto, é que leva o sujeito a desrespeitar a legislação. Isso apenas mostra que o processo pedagógico está errado. A punição com multas e pontuação nas carteiras de habilitação apenas camuflam a faltam de investimentos em educação no trânsito. As multas, a longo prazo passam a ser enquadrados nos orçamentos de quem as recebe e desvinculá-las das razões que as fizeram ser definidas pelo Código de Trânsito Brasileiro.

As campanhas pedagógicas mais relevantes são promovidas apenas durante a Semana Nacional do Trânsito. Embora, o Código de Trânsito Brasileiro preveja no artigo 76 que "a educação para o trânsito será promovida na pré-escola e nas escolas de 1º, 2º e 3º graus". Mas, são raras as instituições de ensino que possuem disciplinas ou mesmo ações nesse sentido. As atividades mais comuns são desenvolvidas na educação infantil, esporádicas no ensino fundamental e inexistentes no ensino médio.

Sem entrar no mérito da chama "indústria da multa", o fato é que a arrecadação tributária das multas vicia os cofres públicos e transforma cada sinal de trânsito numa potencial máquina arrecadadora, sem uma preocupação essencial com a vida. Ainda é importante ressaltar que a partir desses aspectos, o poder público falha também em oferecer vias e ruas em condições aceitáveis que justifiquem a repressão.

Se fossemos um povo realmente civilizado, não precisaríamos nem de placas, nem de guardas. Se a preocupação fosse reduzir a violência nas ruas, a educação deveria ser a arma principal dos investimentos. O Código Nacional de Trânsito foi concebido como instrumento educativo. Neste aspecto, educação se entende como processo de interesse e empenho do aprendiz na aceitação e cumprimento das normas que regem a convivência.  Mas o que se percebe mesmo é que a educação não passa de uma impressão de folhetos periódicos e o restante dos recursos usados nas mais diversas áreas, menos no trânsito. Educar vai além de campanhas educativas. Respeitar as leis implica em renovar os valores pessoais.

domingo, 28 de fevereiro de 2016

Lixo nas ruas: multar ou educar?

Há tempos o problema do lixo é a prioridade ambiental nas cidades. A poluição das ruas, aliado ao aumento da população e das embalagens e itens não-biodegradáveis gera uma desordem descomunal nesse meio. A degradação ambiental possui consequências muito maiores que vão além da sujeira que se acumula na ruas ou entupimentos de bueiros. O chorume gerado por esses depósitos irregulares de resíduos pode poluir o solo e os lençóis freáticos. Lixo é também fonte de muitas doenças.

O descarte irregular desses matérias ainda tem consequências centenárias. Para decompor o plástico não necessários até 450 anos e sem contar os materiais altamente tóxicos como pilhas, baterias e remédios que poluem para sempre solo e água.

Implementar programas que visem diminuir a quantidade de sujeira nas ruas são elogiáveis quando conscientizam a população por meio da educação e não com o uso multas para quem, por exemplo, joga lixo no chão.

A eventual falta de lixeiras por perto não pode servir de desculpa. Em várias cidades do mundo elas também são escassas como em cidades do Japão, mas nem por isso há sujeira nas ruas. Nessas cidades, o cidadão reconhece o seu compromisso e responsabilidade e não se importa de transportar consigo o resíduo até que seja possível descartá-lo de forma segura.

A aplicação de multas não resolve o problema e apenas inibi a recorrência deste lançamento indiscriminado de resíduos no lugar errado. Aplicar multas mais salgadas tem efeito didático limitado, pois quando a fiscalização não ocorrer, as pessoas voltam jogar o lixo na rua. Multar não resolve o problema da falta de educação para quem possui maus hábitos.  Pois, mesmo que o bolso seja parte mais sensível do ser humano, apenas por meio da correta conscientização do cidadão é possível sonhar com uma sociedade melhor e mais justa. 

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Cursos técnicos e tecnológicos

Cresce a competitividade no mercado de trabalho e nesse processo a qualificação é quesito fundamental. Uma das alternativas para acelerar o processo de qualificação estão nos cursos técnicos e tecnológicos. Até pouco tempo essas modalidades de ensino eram renegadas no país. Porém, em países europeus possuem grande valorização. Nessa área, estamos aquém também dos próprios países da América Latina. Essas modalidades educacionais de curta duração, além de ampliarem as oportunidades, suprem demanda do mercado que carece de profissionais qualificados e especializados.

Mais do que acelerar a entrada no mercado de trabalho, os detentores de cursos profissionalizantes também possuem salários maiores do que aqueles que não têm formação específica. As mudanças do cenário educacional brasileiro, que passou a ter um olhar mais atento a qualificação técnica e tecnológica,  mostra que aos poucos rotas podem ser corrigidas. Apesar dos desafios ligados ao preconceito ou mesmo ao financiamento, é preciso buscar formas de incentivar o avanço desta metodologia de ensino para avançarmos economicamente no país.

No atual momento de desenvolvimento do país é fundamental gerar mão de obra de profissionalizante qualificada. A grande vantagem desses cursos está no currículo focado nos conhecimentos, habilidades e competências necessários ao exercício da profissão. Porém, é também importante esses cursos ofereçam conteúdo de qualidade a partir d nova realidade educacional brasileira.

Mais da metade dos  jovens que concluem o ensino médio não ingressam no ensino superior. Ao mesmo tempo o curso tecnológica, apesar de mais curto que uma licenciatura ou um bacharelado, equivale a uma graduação. Entre áreas e cursos mais promissoras estão as ambientais, redes de computadores, desenvolvedor mobile, comércio exterior, geoprocessamento, mecânica, eletrotécnica, segurança do trabalho, construção civil e logística. 

O ensino profissional precisa ser visto como  fator estratégico de competitividade e desenvolvimento humano na economia brasileira.  Além disso, o ensino tecnológica é um caminho para combater a falta de qualificação profissional. Apesar do crescimento nessa área nos últimos anos, a nossas matriz educacional ainda é quase que totalmente voltada para a universidade. Sofremos de uma alienação bacharelesca. 

O ensino na Finlândia

Um pequeno país do norte da Europa pode ser um exemplo em educação de qualidade. A Finlândia mesmo estando entre os dez melhores no ranking do Pisa anuncia mudanças profundas no ensino. O Pisa compara o desempenho em matemática, ciência e leitura de meio milhão de alunos de 15 anos em 65 países.

O sistema de educação do país no nórdico anunciou irá abolir as disciplinas do currículo escolar. Com essa reforma, serão valorizados os projetos interdisciplinares. No novo plano de educação tópicos como “mudança climática”, “União Europeia” e “centenário da independência da Finlândia” ganham mais ênfase do que a rigidez das disciplinas. O modelo leva o nome de “aulas de fenômenos” e permite que o aluno entre em contato com temas transversais com a ajuda de fatos do cotidiano.

O novo modelo muda o foco e sai do ensino tradicional e garantir às crianças as habilidades necessárias para a sociedade do futuro. O modo tradicional de ensino era ideal na era industrial. Fazer a mesma coisa todos os dias, ano a após ano e sentar de frente para o professor não prepara mais o cidadão para utilizar suas habilidades individuais e, ao mesmo tempo, demonstrar capacidade de inovar.

Ao mesmo temo, o ensino da escrita cursiva e as aulas de caligrafia se tornarão optativas nas escolas primárias da Finlândia. Assim, algumas crianças aprenderão a escrever apenas com letras de forma – aprendizado que continua obrigatório –, e se iniciarão mais cedo na prática da digitação, uma competência classificada de importância nacional.

Porém, para chegar nesse ponto, a Finlândia investiu de forma massiva em educação durante 40 anos. a Finlândia gasta menos dinheiro por aluno no ensino primário e secundário do que a média dos países ocidentais. A ênfase foi colocada na qualidade da supervisão, no número e na formação dos professores. Parte da formação não é dedicada ao conteúdo a ser transmitido, mas a maneira de transmitir. Por lá professores do ensino fundamental e básico possuem no mínimo mestrado.

Além disso, o salário anual de um professor do ensino médio na Finlândia (US$ 28.780) é menor do que nos EUA. Por lá, um professor fica no máximo 20 horas por semana na escola. Mas naquele país escandinavo os professores são altamente respeitados na sociedade. Lá se compreende que envolvimento do professor é diferente de presença nas escolas. Na Finlândia, a sociedade valoriza a educação e os professores e isso motiva pais ao verem seus filhos estão verdadeiramente motivados.

Ao mesmo tempo que o sistema é desprovido de avaliações, existe um profundo respeito pelas diferenças e as escolas possuem grande autonomia. Na escola finlandesa inexiste a repetência e não há notas nos primeiros anos. Existe limite de alunos por sala de aula.

O sistema de ensino na Finlândia se consolida há anos como um modelo de igualdade no ensino. disciplinas e o conteúdo perdem espaço para competências e alunos ganham papel ativo na avaliação. mudar o foco é partir para uma solução inovadora que ajude no progresso da sociedade finlandesa. novo jeito de ensinar permite resultados muito melhores em diferentes áreas, porque você passa a aprender sobre determinado tema para a vida e não somente para a escola. as crianças não estão na escola para passar nas provas. Elas vêm aprender a vida, encontrar seu próprio caminho. O sucesso finlandês tem suas raízes na tradição política dos países nórdicos, ligada às realizações concretas do Estado de bem-estar social, mais do que a uma doutrina. Propostas de mudanças radicais como esta geram certas inseguranças que nos remetem a nossos princípios formadores. Não formamos mais para a sociedade quem fomos formados.

A democracia dos passivos

O fato do brasileiro ser classificado como sendo um sujeito pacífico tem muitos significados. Mas ao observarmos o momento político e social do país é fácil afirmar que a passividade do povo brasileiro parece não ter limites. Mesmo contrariado com os seus dirigentes e representantes, o brasileiro permanece sem reação. Os casos de corrupção e má gestão são tantos e envolvem definitivamente todas as esferas do poder.

A democracia que o brasileiro tanto exigiu para retomar parece tratar-se apenas do direito de votar a cada dois anos. Cumprida a formalidade mais banal do ritual democrático, que é o ato de votar, o brasileiro logo esquece, inclusive, em que votou. Os eleitos e o sistema de funcionamento da democracia não são questionados pra valer. O brasileiro se conforma de forma muito rápida.

Ao mesmo tempo que vivemos uma crise de representação no Brasil, os cidadãos não percebem que a maior autoridade numa democracia é o povo. Também não existem questionamentos ou cobranças as políticas públicas prometidas durante o período eleitoral.

Ao mesmo tempo no dia a dia é comum ver motorista falando ao celular, atravessar no sinal vermelho, cruzar a rua fora da faixa de segurança, alguém furando a fila ou encontrar algo vencido na gondola de um mercado e não fazermos nada.

Na Alemanha, França ou mesmo Nova Zelândia são países que ficam em continentes diferentes. Mesmo em diferentes regiões, as coisas por la funcionam. O transporte público, o combate a corrupção ou só serviços prestados aos cidadãos são exemplos a serem seguidos. Na França toda vez que se pretende mudar alguma legislação trabalhista ou previdenciária existem protestos e confrontos com as autoridades.

Precisamos de bibliotecas

A biblioteca é tida força propulsora do processo educacional e em uma escola esse espaço é responsável por complementar o currículo. A leitura mais do que desenvolver a capacidade da leitura, contribui para o desenvolvimento da criatividade e comunicação. A partir de legislação aprovada 2010 o Brasil precisa construir mais de 64,3 mil bibliotecas em escolas públicas até 2020. A cinco anos do fim do prazo, 53% das 120,5 mil escolas públicas do país não têm biblioteca ou sala de leitura.

Os dados mostram grande disparidade regional na oferta de bibliotecas escolares. A região sul é a possui atualmente o maior número de bibliotecas em escolas públicas. São 77,6% conta a região Norte, que apenas 26,7%. Apenas o Rio Grande do Sul tem 83,7%. A biblioteca pública é o equipamento fundamental para que famílias e escolas possam desenvolver essa habilidade no jovem.

Isso mostra que a Pátria Educadora ainda não tem a educação como prioridade. Pois, não há como não deixar de exigir o cumprimento dessa lei em sua integra. O país perde em não munir as escolas desse equipamento e em promover uma campanha de para que as famílias se envolvam na formação leitora das crianças. É importante que a biblioteca seja a casa do leitor para contribuir na formação literária, melhorar a escrita e o vocabulário. Biblioteca é fundamental para a formação do cidadão.

Ao mesmo tempo é o Brasil precisa elevar seu desempenho em matéria de educação. Nesse contexto, a leitura pode despertar nos ciclos básico e fundamental o interesse pela informação e pela aquisição do conhecimento. Somente assim estaremos garantindo uma sociedade capaz de interagir com o futuro por meio de novoas tecnologias e gerando novas experiências para garantir a plena cidadania.

O ensino e a Alemanha

Análise da educação é motivo de constantes reflexões na Alemanha, por parte dos governos, mas acima de tudo: dos cidadãos. Ser tachada como nação que tem o 12ª melhor nível educacional do mundo é motivo de preocupação por lá. O resultado é visto como vergonha internacional. Os dados são obtidos a partir do Pisa (sigla em inglês para Programa Internacional de Avaliação de Alunos), que examina de três em três anos o nível educacional de jovens de 15 anos em 65 países.

Para melhorar os índices, reformas educacionais são amplamente discutidas no país de Goethe, Marx, Hegel e Weber. Por lá, diferente daqui, existe um entendimento de que a educação é única forma de atingir as metas individuais de cada cidadão, mas é também a única forma de manter a hegemonia política, econômica e social da Alemanha sobre a Europa e mesmo do mundo. A divulgação dos resultados do Pisa são matérias de capa no país germânico. Aqui viram notas em veículos de repercussão nacional. A Der Spiegel, a mais importante revista do país, chegou a ir para as ruas com a seguinte manchete na capa: "Os alunos alemães são burros?".

No país europeu o sistema escolar funciona da mesma forma há desde a época do império, no século 19. Nesse período foram modificadas apenas os nomes de suas instituições. Embora cada estado, chamado por lá de Bundesland possuí autonomia para legislar sobre a educação infantil até a universitária. De maneira geral, o aluno entra com seis anos de idade no ensino primário, chamado de Grundschule. Após quatro anos, o futuro dele começa a ser definido.

A divisão dos estudantes alemães depende do desempenho escolar, que determina a recomendação para um dos níveis seguintes: Hauptschule, que, a princípio, dura cinco anos; Realschule, de seis; ou o Gymnasium, que dura oito e permite ao estudante fazer o Abitur, uma espécie de prova final da educação básica e que dá a oportunidade de tentar uma vaga em uma universidade. O estudante que conclui a Hauptschule geralmente ingressa em escola vocacional, voltada a profissões que não requerem forte especialização.

Para tentar melhorar os índices no Pisa, se discute na Alemanha retardar a separação em níveis. A ideia do currículo mínimo, coisa que por aqui ainda é discutido há quase 20 anos, é fato superado no país germânico. Apesar de estar na legislação, nunca foi regulamentando. No Brasil, não se sabe em que ano uma criança deve criança deve dominar frações ou quando ela está apta a interpretar textos. Ou então fazemos países nórdicos em que a educação é algo transmitido sem pressão. Mas indiferente do modelo a ser seguido, é necessário estar previsto na legislação. De concreto a Alemanha já diminui o numero de alunos por sala de aula, agora ficam em torno de 25. Mesmo a Alemanha tendo “números tão ruins” no Pisa, é provável que o Brasil possa aprender com aquele sistema de ensino.

Dia do livro

O dia do livro é comemorado em 23 de abril porque neste dia do ano de 1616 morreram Shakespeare e Cervantes. Além disso, o dia lembra a antiga festa catalã, no nordeste da Espanha, de Sant Jordi, o patrono das livrarias. Como manda a tradição, todo 23 de abril os casais catalãos se presenteiam com um livro ou uma flor. A data foi estabelecida em 1995 pela Unesco. Além do Dia Mundial do Livro e também a do Direito de Autor.

William Shakespeare foi poeta, dramaturgo e ator inglês, tido como o maior escritor do idioma inglês e o mais influente dramaturgo do mundo. É chamado frequentemente de poeta nacional da Inglaterra e de "Bardo do Avon". Dos seus trabalhos mais conhecidos se destacam Romeu e Julieta, Rei Lear, Macbeth, O Mercador de Veneza, Sonho de uma Noite de Verão, , Otelo, Hamlet e o Mouro de Veneza.

Outro autor que inspirou a instituição do Dia Mundial do Livro é o ator da obra-prima, Dom Quixote, muitas vezes considerada o primeiro romance moderno. O livro é um clássico da literatura ocidental e é regularmente considerada um dos melhores romances já escritos. A influência de Miguel de Cervantes Saavedra sobre a língua castelhana tem sido tão grande que o castelhano é frequentemente chamado de La lengua de Cervantes. O escrito também dá nome ao Instituto Cervantes, encarregado de divulgar a língua e a cultura espanholas no mundo.

Mas o 23 de abril é também a data de nascimento ou morte de outros autores famosos, como Maurice Druon, Haldor K.Laxness, Inca Garcilaso de la Veja, Vladimir Nabokov, Josep Pla e Manuel Mejía Vallejo. Com isso, ler ou reler alguns desses autores é uma ótima forma de homenagear os próprios autores, mas ao mesmo tempo é uma janela aberta à diversidade das culturas e ponte entre as civilizações, vetor de valores, de saber, de sentido estético e da imaginação, o livro é, antes de tudo, obra da inteligência, da criatividade e da cultura humanas.

Petróleo e educação

Não há e nunca existiram no Brasil tentativas sérias e concretas para combater a ignorância. Há quase 20 anos a legislação determina a existência de currículo comum para as escolas do país, tanto as públicas quanto as privadas. É inexistente há clareza sobre o que os estudantes devem saber em cada série. O novo Plano Nacional de Educação exige que o Ministério da Educação defina o currículo até junho de 2016.

Os números compravam que nos rankings internacionais não estamos nada bem. Pisa (sigla em inglês para Programa Internacional de Avaliação de Alunos), que examina de três em três anos o nível educacional de jovens de 15 anos em 65 países. Na avaliação mais recente o Brasil ocupa o 55º lugar no ranking de leitura. Em matemática, o lugar do Brasil é ainda pior (58ª), conforme a entidade responsável pelo estudo, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico.

Porém, essa entidade divulgou um outro estudo a partir dos desempenhos dos estudantes nos países avaliados. O exame PISA mostra uma relação negativa entre o dinheiro que os países ganham a partir de seus recursos naturais e as habilidades de seus estudantes. Segundo o estudo as nações com poucos recursos naturais, como Finlândia, Japão ou Cingapura, a educação é muito valorizada pelo fato população compreender que o país tem de ganhar a vida com o seu conhecimento.

Isso caí como uma bomba. Para garantir as metas previstas no governo que usa como lema “Brasil, Pátria Educadora” a presidenta Dilma Rousseff espera destinar grande parte dos royalties do petróleo para a educação. Em um país com tanta corrupção, é evidente que petróleo e educação não se misturam.

A importância da leitura

Podemos contar nos dedos as livrarias que temos nos Vales do Taquari e Rio Pardo. Em Venâncio Aires, cidade que faz ligação entres as duas regiões, empreendimentos desse tipo não possuem longa vida útil. Os melhores exemplos se concentram em Lajeado Estrela e em Santa Cruz do Sul. Nesses municípios, apenas uma não está ligada a grandes redes.

As poucas livrarias independentes que ainda resistem seguem ameaçadas pelo crescimento das lojas virtuais e ao mesmo tempo também é crescente e forte concorrência das grandes redes. Porém, o crescimento do mercado virtual não está conseguindo aumentar o número de leitores. Em 2015 existe uma queda o lançamento de novos títulos e também estão em queda as vendas.

Para compensar essa falta de livrarias nas cidades polos, as administrações municípios incentivam e promovem todos os anos feiras de livros. Esses eventos geralmente são também um momento importante para a promoção da cultura como um todo. Nas feiras os estudantes possuem acesso muitas vezes as primeiras peças de teatro ligadas a verdadeiras companhias do segmento regional ou estadual.

Estamos mal nesses quesitos. Porém, o livro é meio mais generalizado de transmissão do saber entre os homens. Melhorar os indicadores de desenvolvimento humano na região é investir em qualidade de vida. Para isso, a informação é fundamental. Mesmo, assim em diferentes municípios, investir na cultura ainda é dinheiro jogado fora. Ou não é visto como prioritário.

Chile e Brasil, algo comum na educação

A Segunda Guerra Mundial encerrou com um pensamento quase unanime entre os países envolvidos. A partir do fim oficial do conflito se passou a trabalhar para que novas guerras daquela proporção não ganhassem mais vez para se instalarem no mundo. Com isso surgiu a Organização das Nações Unidas e tribunas internacionais ganharam força. O ensino também passou a ser um foco importante não apenas na Alemanha, mas assim deveria ter sido em todo o mundo. Trabalhar o Holocausto, a Segunda Guerra Mundial e o Terceiro Reich eram tido como metas no ensino de História. A Alemanha perdeu território como forma de compensar as barbáries da guerra e foi partida em quatro partes. Uma passou a ser administrada pela França, outra pelos Estados Unidos, pela União Soviética e quarta parte foi destinada a Inglaterra. Enquanto que a Alemanha estava sob internação internacional, a principal meta era reeducar os seus cidadãos para que nunca mais tentassem uma guerra.

A Alemanha foi reeducada. Ficou por 40 anos dividida em dois blocos, entre o socialismo e o capitalismo. O Muro de Berlim caiu. Porém, o resto do mundo tem dificuldades para mostrar nas escolas as barbáries que ocorrem no Europa durante o conflito mundial. Quando o assunto é o esforço para se lembrar da tragédia perpetrada pelos campos de concentração, uma organização precisa ser lembrada: a Aliança Internacional para a Memória sobre o Holocausto. Esse genocídio em massa matou quase sete milhões de pessoas durante a Segunda Grande Guerra. O massacre nazistas, liderado por Adolf Hitler, ocorreu em diversos campos de concentração instalados nos territórios ocupados pela Alemanha.

Uma das principais questões sempre colocadas à instituição é a necessidade de ensinar sobre o Holocausto em países sem conexão direta com a Segunda Guerra Mundial - como é o caso do Brasil. Essa aliança mundial que tem por objetivo preservar a história desse genocídio tem apenas uma representação latino-americana: a Argentina. El Salvador e Uruguai participam como observadores. O curioso é que uma pesquisa dessa organização demonstra que América do Sul apenas o Brasil e o Chile possuem referencia direto do holocausto em seus currículos. Argentina é classificada por fazer referencia parcial e o Uruguai por fazer apenas passar o contexto do episódio.

Visitar os campos de concentração e museus sobre o tema é uma experiência dura e terrível. Nesses locais se percebe de fato como o regime nazista conseguiu sem escrúpulos matar milhões de judeus, ciganos, negros, deficientes, homossexuais, testemunhas de Jeová, eslavos, sindicalistas e opositores políticos. Mortes em massa a partir de câmaras de gás, campos de trabalho forçado e por meio de armas. Acredito que a Alemanha aprendeu a lição. Porém, muitos países tidos como desenvolvidos parece que querem a guerra sempre e a todo custo...

Livros e livrarias

No Brasil existe cerca de 64 mil pessoas para cada livraria. O número de livrarias no país está em torno de quatro mil empreendimentos. A Unesco recomenda que a proporção seja de 10 mil habitantes por cada estabelecimento do gênero. Além disso, mais da metade das lojas ficam na região sudeste e o sul concentra cerca de 20% das livrarias. Em 20014, Porto Alegre contava com uma livraria para 14.913 habitantes.

As poucas livrarias independentes que ainda resistem seguem ameaçadas pelo crescimento das lojas virtuais e ao mesmo tempo também é crescente e forte concorrência das grandes redes. Porém, o crescimento do mercado virtual não está conseguindo aumentar o número de leitores. Em 2015 existe uma queda o lançamento de novos títulos e também estão em queda as vendas.

O cenário nacional de poucas livrarias ¬ e consequentemente, pouca leitura ¬ não chega a ser uma novidade. O brasileiro lê, em média, 4 livros por ano. Porém, o número real é mais baixo, pois nesses dados constam também os livros didáticos.

Ainda há muito que ser feito para chegarmos a um patamar considerável ideal para um país como o Brasil, que tem potencial econômico forte e vigoroso. Ao mesmo tempo também é preciso compreender que o Brasil um livro é muito caro. Em países europeus um livro acadêmico chega a custar centavos. Por aqui, chega a custar centenas de reais.

Outro fator que pode impulsionar na Europa a venda de livros é o fortalecimento das editoras regionais. Lá, os títulos regionais ajudar em muito a gerar o impulso para fidelizar leitores. Exemplo alemão que dá muito certo é o incentivo a edição de livros no dialeto local.

Ler bastante eleva a qualidade de vida e pode melhorar, inclusive, a condição socioeconômica. As pessoas precisam ter presente que ao ler ocorre algo inevitável: a atualização cultural. Ler sempre será um bom negócio.

Respeito à diversidade

Polêmicas sobre comerciais envolvendo a união homoafetivo mostram a urgência de um exercício da diversidade no país. Em junho, ações de repúdio deflagradas por muitos brasileiros a partir das campanhas publicitárias de O Boticário e da Microsoft mostraram que a diversidade de gêneros tem um longo caminho a percorrer no país.

Se a população brasileira possui segmentos que defendem respeito a certas religiões, tradições ou costumes, precisa também encontrar vias para que esta multiplicidade cultural não crie conflitos ou agressões.

A propaganda de O Boticário exaltou o romantismo entre casais, tanto héteros quanto homoafetivos. Para a empresa o objetivo foi abordar com respeito e sensibilidade a ressonância atual sobre as mais diferentes formas de amor. Muitos não compreenderam essa mensagem e afirmaram época que iriam boicotar a marca.

Antes de O Boticário e Microsoft também já haviam lançado no país campanhas com temas homossexuais as marcas Sonho de Valsa e Gol. Nos Estados Unidos, Google, Facebook, Coca-Cola, Starbucks e Disney estão entre as empresas que assinaram petições a favor da união homoafetiva. Na Argentina marcas como da cerveja Quilmes ou do refrigerante Sprite também já apresentaram comerciais com casais homoafetivos e justamente essas estão entre as melhores campanhas já feitas pelas marcas.

Embora o conservadorismo de comportamento esteja mais raivoso no país, essas campanhas querem na verdade reiterar a valorização a tolerância e respeito a diversidade de escolhas e pontos de vista. Diversidade de comportamentos aliada a diferentes pontos de vista quando seguida de respeito acaba garantido efetividade da democracia.

Além disso, a constituição garante a igualdade e direitos individuais e coletivos. É imprescindível que aprendamos o exercício da tolerância para que todos vivam em paz com as crenças e visões. Embora todos tenham o direito à ampla manifestação de pensamentos é preciso também que os conflitos de visões sejam resolvidos de forma civilizada.

Leis e normas sociais existem para facilitar a organização de um grupo. Preconceitos e discriminação são formas primitivas que grupos criam para evitar uma suposta ameaça. Mas, a falta de flexibilidade pode provocar efeito inesperado ao despertar a violência. Embora possa ser considerada uma manifestação sombria, sempre queremos crer que indiferente do grupo, sempre está sob controle.

Uergs e a vida acadêmica

Ingressar em uma universidade pública é o sonho de muitos estudantes. A universidade pública é responsável por possuir cursos de qualidade e reconhecida pesquisa científica e tecnológica. Mais do que ser reconhecida como uma instituição que desempenha importante papel ao desenvolvimento humano e sustentável na sociedade contemporânea, a universidade precisa pensar também na questão regional.

Enquanto que grande problema da universidade pública brasileira está no elitismo, na Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (Uergs) se percebe justamente o contrário. A Uergs reserva mais de 50% das vagas a estudantes carentes beneficiários de bolsa. É indiscutível a importância dessa universidade para contribuição do desenvolvimento ao estado.

Além disso, essa universidade é caracterizada por possuir cursos pensados para diferentes regiões gaúchas. Mais do que contribuir para as economias regionais, uma universidade pensada em polos evita que estudantes saiam da sua região para buscarem a qualificação profissional.

Ao mesmo tempo a Uergs tem papel fundamental no desenvolvimento da pesquisa. Programas de pós-graduação – especialização, mestrado e doutorado – são essenciais para garantir maior utilidade da universidade. Por conta, do recurso escasso uma solução seria criar programas ligados a mais unidades. Maior divulgação dos grupos de pesquisa também é essencial para garantir maior notoriedade a instituição.

A Uergs autorizada em 10 de junho de 2001 e possui 24 unidades e hoje conta com quatro mil alunos. Em 2014, a Uergs obteve, pelo terceiro ano seguido, conceito 4 no Índice Geral de Cursos , indicador que mede a qualidade dos cursos em uma escala de 1 a 5. A curta história da universidade mostra o grande caminho a percorrer e adaptar-se aos novos tempos, as diferentes regiões, gerando qualificação e empregos locais. É preciso que a instituição crie alternativas, crie novos cursos regionais, mas sem concorrer com as universidades comunitárias.

É preciso garantir uma forma da Uergs poder firmar parcerias para investimento em pesquisa e inovação. Hoje devido a sua natureza jurídica a universidade, só pode receber recursos públicos. Para isso é preciso ter autonomia, decorrente de mecanismos de alocação de recursos que incluam o aprimoramento contínuo de avaliação de docentes, departamentos e unidades.

Crise econômica das finanças do Estado não pode ser resolvida atacando um dos pilares do desenvolvimento de qualquer nação: a educação. O sonho de ser uma instituição de excelência, nos moldes da USP ou da Unicamp ainda existe. Por isso, a universidade do estado deve permanecer como uma das grandes instituições do Rio Grande do Sul, com contribuição determinante na formação das novas gerações e no avanço do conhecimento humano.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

A pesquisa e os vales

A pesquisa é um dos pilares da construção do conhecimento humano. Desenvolvimento social e intelectual do indivíduo são ações inerentes do pesquisador.  Mesmo que seja uma tarefa difícil de mensurar o resultado de uma pesquisa. Mas o que indiscutível é que toda descoberta científica mostra que as chamadas revoluções científicas nasceram da experimentação, sem ter explicitado sua aplicação. 

Pesquisa pode ser tida como sinônima no desenvolvimento e na inovação tecnológica. A pesquisa – principalmente quando ligada instituições de ensino – é sempre liquidante. Pesquisador universitário é inseparável da chamada sociedade conhecimento. As universidades são o laboratório da pesquisa que em última instancia são a fonte da melhora na qualidade de vida em diversos cenários. Por tudo isso tempos sempre as velhas máximas que nos lembram que todo pesquisador sabe o ponto de partida. É um profissional inquieto e sempre está busca de novos resultados. Afinal de contas, o conhecimento não brota do acaso. Investigar, pensar, testar e refletir que justificam hipóteses e teses são atividades inerentes dos pesquisadores. 

Os pesquisadores brasileiros ganharam o dia 8 de julho para homenagear esses profissionais, mas lembrar que nos Vales do Taquari e Rio Pardo temos duas instituições de ensino superior que experimentam diariamente as dificuldades e as conquistas da busca pelo avanço do conhecimento.
 As duas instituição comunitária ainda fazem um trabalho pequeno, mas consciente na persistência. Isso se deve principalmente à incerteza dos financiamentos. Infelizmente, os recursos provenientes do CNPq, da Capes ou mesmo da Fapergs ainda ficam reféns dos governos.  Na Univates e Unisc são comuns os chamados pesquisador-professor que se dedica à pesquisa e ao mesmo tempo compartilha com os estudantes o conhecimento acumulado. 

Por isso, pesquisa científica, produção do conhecimento devem estar invariavelmente ligadas também ao ensino e de extensão. Na Univates são 17 grupos de pesquisa e 56 projetos em andamento enquanto que na Unisc são 41 grupos de pesquisa e 180 projetos de pesquisa anualmente. Qualificar docentes e aprimorar discentes em prol do desenvolvimento regional são as marcas das duas instituições. Experimentar é uma descoberta gratificante!

Gênero e orientação sexual

A educação, formal ou informal, é base para o fortalecimento da democracia e ao mesmo um facilitador para a vivencia em sociedade.  Evidente que apoiar a inclusão dos temas de gênero e de orientação sexual nas escolas é valorizar a convivência harmônica em um país continental que está longe de vencer sozinho os desafios de uma educação emancipadora e a competências comportamentais éticas e deontológicas sociais. 

Reafirmar os conceitos de gênero e orientação sexual é valorizar conceitos científicos. O tema é estudado em grupos em quase todas as universidades brasileiras. Levar esse conhecimento acumulado aos bancos acadêmicos é contribuir para que se diminuía desigualdades históricas entre homens e mulheres. A partir de discussões sérias em sala de aula é que se enfrenta a discriminação e a violência. 

A Constituição Federal estabelece que a educação é um direito de todas e todos. Pesquisas mostram que a identidade masculina baseada na agressividade reproduz uma cultura de violência e afasta os jovens do ambiente escolar. Além disso, Lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais que tem seu direito fundamental à educação violado e como consequência esse grupo populacional possui altas taxas de evasão escolar. 

Grupos religiosos têm ignorado o princípio da laicidade do Estado e censuram esse tema em todos os ambientes, mesmo nos escolares. Definir posições de poder e engessar identidades é um retrocesso que não pode ser aceitado. Enquadramentos limitam e impõe comportamentos.

Os conceitos de família mudaram. Temas como homofobia ou machismo precisa ser tratado com respeito pela sociedade. Isso exige apoio das mais diferentes instituições, em especial da escola. O tema precisa ser abordado durante toda a vida escolar, em diferentes disciplinas e sob uma abordagem específica para cada faixa etária. Os conceitos de gênero e orientação sexual quando bem abordados fortalece a relação escola-família.

Programa Escola sem Partido

A educação é protagonista para avançarmos na pratica em conceitos ligados a democratização. Mesmo estado longe de sermos uma democracia estável, é inaceitável a imposição de projetos conservadores e antidemocráticos no atual curso da história brasileira. Políticos querem enfraquecer nossa soberania a partir do chamado “Programa Escola Sem Partido”. 

Se crianças não aprenderem de forma generalista, humanista, crítica e reflexiva sobre política na escola, a política partidária passará a ter cada vez menos importância no cotidiano das pessoas. Mas o contrário sim deveria ser sim o foco desses líderes. É essencial e urgente o fortalecimento dessa política afim de contribuir no entendimento da complexidade e o pluralismo da sociedade cultural contemporânea. 

Excluir a política das instituições de ensino é contrapor princípios fundamentais que regem uma sociedade democrática. Criminalizar a prática partidária é um golpe contra as instituições democráticas por violar a constituição brasileira. A carta magma diz que é livre a manifestação do pensamento e que o ensino precisa observar a liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber; o pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas e coexistência de instituições públicas e privadas. 

Promover ideias ligadas ao chamado “Programa Escola Sem Partido” é deslegitimar por completo a função do professor, que conquistou o direito de estar em sala de aula por meio de estudos. A prerrogativa maior de definir os conteúdos que devem ser ministrados na escola devem estar intrinsicamente ligados ao Ministério de Educação. 

O “Programa Escola Sem Partido” quer transformar os professores em instrutores. Fortalecer o diálogo entre professores e alunos em sala de aula está ameaçado. Ameaçar a pluralidade é um ataque à educação. Sintetizar as competências cognitivos, históricas e os fundamentos cânones da escola é retroceder em todo o sistema educativo nacional. Assim, alunos perdem mais uma oportunidade de contextualizar, interpretar e explicar informações atuais a partir de elementos da realidade.