sábado, 26 de março de 2016

Turismo argentino a partir do mate

O mate é um dos ícones culturais da Argentina. Herança dos povos indígenas regionais e com forte influência na cultura daqui, o mate é rei — ou rey como dizem os hermanos. É tanta tradição, que a história do mate na argentina virou patrimônio cultural. Por decreto, virou a bebida nacional.  O consumo do mate está hoje presente entre os habitantes de todo o país. Porém, além de ervateiras e inúmeros empreendemos gastronômicos que possuem diversos preparos e condimentos com erva-mate, é possível ainda entrar rotas, eventos, mate-bares e museus com a temática focada na planta.

Em Buenos Aires ganhou força a idea dos mate-bares. Bares e restaurantes portenhos estenderam aos turistas o hábito de tomar o chimarrão e sempre acompanhado de pão caseiro e doces.  Diferente do café, que é individual, com o mate há uma comunhão na mesa. No final da tarde, as mães buscam os filhos na escola e se juntam no bar. Enquanto eles brincam, elas mateiam. O site Viagem Cult fez uma relação dos mate-bares portenhos participantes: Cumaná (Calle Rodriguez Peña, 1149. Recoleta)e o horário de mate é diário das 16h às 19h; Mister Mate (Calle Estados Unidos, 523. San Telmo) e o horário de mate é de terça a domingo, até às 20h; La Peña del Colorado (Calle Guemes, 3657. Palermo) e o horário de funcionamento desse serviço é das diário do meio-dia às 20h; Las Cholas (Arce, 306. Las Cañitas) e o horário de mate é diário das 17h às 19h.

Um dos museus mais visitados sobre a cultura da erva-mate fica na província de Buenos Aires. Na beira do Delta do Paraná, em Tigre, a 33 quilômetros de Buenos Aires, está o Museu do Mate. São cinco salas e o acervo cultural é superior a duas mil peças, como garrafas térmicas, embalagens, documentos, livros e até peças publicitárias, tudo conservado. O percurso é feito por guias especializados. Para o turismo estrangeiro se dispõe de profissionais nos idiomas inglês, francês, português, italiano e alemão. Além da mostra em si, o museu possui ainda um auditório que por meio de vídeos os visitantes possuem uma mostra de como é a cultura e produção do mate no país vizinho. O material em vídeo foi produzido pelo “Instituto Nacional de la Yerba Mate”. Todo a visitação dura menos de meia hora.

Nas visitas guiadas é detalhado como a cuia virou no passado sinal de status. Famílias ricas mandavam fazer as suas em prata ou com outros materiais para agregar valor. Além disso, durante a Guerra das Malvinas (Falklands War em inglês e que ocorreu de dois de abril a 14 de junho de 1982) os soldados argentinos tomavam chimarrão cortando as latas de refrigerante e usando como bomba o tubo da caneta a partir de vários furos em uma das pontas.

Para outras informações:
Contato: (54 11) 4506-9594 / info@elmuseodelmate.com
Localização: Lavalle 289 - Tigre - Argentina / www.elmuseodelmate.com

Nas províncias de Misiones e Corrientes, onde a natureza é generosa e o calor é intenso, é cultivada a erva-mate. Na região foi criada a Rota da Erva Mate que faz o viajante conhecer aspectos artesanais, ecológicos e industriais daquela cultura. Além de poder conhecer o processo completo de produção, é possível ainda realizar degustações de ervas (dos tipos tradicional, orgânica, só de folhas, entre outros), descobrir suas propriedades energizantes.

Segundo o Ministério de Turismo de Misiones a Rota da Erva Mate representa 200 empreendimentos que envolvem apenas no setor produtivo ervateiro e 20 mil trabalhadores das duas províncias produtoras. Além da tradicional mate é possível numerosos empreendimentos gastronômicos para degustar pratos, sobremesas e bebidas com erva-mate. Pães, queijos, sorvetes, alfajores, bombons, licores e cervejas são apenas alguns dos 200 alimentos e bebidas que combinam erva mate com outros produtos típicos da zona.

Para outras informações:
Contato: http://www.misiones.tur.ar/pt/
Geral: ver site em espanhol misiones.tur.ar/contacto

Ainda naquela região é destaque o museu da Cooperativa de Erva-mate de Colônia Liebig. Em 1926, um grupo de imigrantes alemães assentando no nordeste da província de Corrientes fundou a Cooperativa Liebig para a produção de erva-mate. A história destes pioneiros está representada em uma sala temática especial dentro do estabelecimento, onde também é possível realizar um percurso pela planta para conhecer os diferentes processos de elaboração da erva mate.

Para outras informações:
A Colônia Liebig está situada a 8 quilômetros da cidade de Apóstoles (Misiones). 
Contato: http://www.cooperativaliebig.com.ar/



Em Apostoles, na província de Misiones, foi inaugurado em julho de 2004, a Casa do Mate. O espaço constitui um significativo ponto de encontro. No local existem exposições temporária, serviços de informações turísticas e outras atividades. De forma permanente existem uma mostra relacionada a erva-mate. Também existe no local uma biblioteca e um arquivo sobre a cadeia produtiva da planta. O prédio em Apostoles fica na Av. Sarmiento y Alvear.

sexta-feira, 25 de março de 2016

Canoinhas e sua relação com a erva-mate

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Além dos símbolos oficiais - hino, bandeira e brasão municipal - a identidade local com a cultura está representada em monumentos e placas. Na praça central da cidade, uma cuia gigante evoca a memória do passado dedicado à extração de erva-mate, embora hoje não seja mais a principal fonte de renda do município. Canoinhas alcançou uma fase de grande desenvolvimento na segunda década do século passado, quanto o município teve sua economia reativada pelo extrativismo vegetal da erva-mate e da madeira. A medida foi de grande valia tanto e que de forma informal algumas declarem o município como "Capital Mundial da Erva-mate". Porém, Canoinhas de forma oficial teve consolidado pela lei 16.722, de oito de outubro de 2015, o reconhecimento de Assembleia Legislativa de Santa Catarina o reconhecimento de Capital Catarinense dos Produtores de Erva-mate. É nesse município que fica localizado a sede do Sindicato da Indústria do Mate de Santa Catarina.

Canoinhas foi fundada em 1888 como Santa Cruz de Canoinhas. Além disso, ainda em 1923, em pleno período áureo de sua economia, o nome de Santa Cruz de Canoinhas foi alterado para Ouro Verde, numa alusão à principal riqueza do município. Porém,essa medida deixou insatisfeitas
líderes da cidade, como os antigos coronéis. Pela decadência do ciclo ervateiro a partir de meados de 1930 e pela exaltação da extração da madeira, por aqueles anos o nome foi alterado novamente para a antiga denominação, Canoinhas.

Hoje o beneficiamento de erva-mate representa apenas da 2% no total da atividade econômica do município. Para tentar manter viva a simbologia do município associada a erva-mate, mesma com a brutal diminuição do cultivo e beneficiamento, uma erveira centenária foi elevada a monumento público pela Lei n° 523, de 07 de março de 1961. Com 2,40 m. de circunferência e 16 m. de altura, a ervateira foi considerada a “maior do mundo”. No mesmo ano, um clube local promoveu a 1ª Festa Nacional do Chimarrão. Nesse evento, Canoinhas foi, extraoficialmente, elevado à “Capital Mundial do Mate”. Para a festa foi instalada uma grande cuia de chimarrão em uma das praças da cidade (Bartmann, 2012).

O evento com denominação nacional não teve prosseguimento, porém na década de 1980, com o apoio do Sindicato das Indústrias do Mate de Santa Catarina, o Sindimate, que possui sede em Canoinhas, o cultivo que impulsionou o desenvolvimento econômico do município, ganha novo evento: a Festa Estadual da Erva-Mate. A primeira edição da Fesmate foi em 1988 e dentre os apoiadores estava a Cooperativa dos Produtores de Mate de Canoinhas. A festa tinha o objetivo de estimular a cultura e o consumo da erva-mate como forma de amenizar a crise do setor.  Realizada no parque de Exposições Ouro Verde, a Fesmate é promovida à cada dois anos. O evento é tido como o maior do gênero na região. A festa que é realizada sempre em setembro, junto às comemorações do aniversário da cidade, costuma atrair um público superior a 20 mil pessoas em cada edição.

Outra atração no parque de Exposições Ouro Verde é o Museu da Erva-mate. O espaço mostra a cultura da planta desde o processo artesanal de produção até a industrialização. No museu pode ser vista a barca utilizada para transportar a erva-mate pelos rios que fazem parte da cidade. No local também podem ser visitadas maquetes que detalham como era levada a erva para ser vendida, sapecada, secada e moída. O museu da Erva-mate foi criado em setembro de 2004 e ele é público e privado, com uma administração mista.

O município possui vários monumentos que exaltam a cultura da erva-mate, mas dois são lembrados de forma mais intensa e foram implantados pelo Sindicato dos Ervateiros de Canoinhas e região. O primeiro foi implementado na praça Lauro Müller e trata-se de uma grande cuia. Por conta disso, o espaço é popularmente conhecido como sendo a “praça da cuia”, que foi instalada no cinquentenário do município. Já no centenário da cidade, em 2011, foi instalado na Praça Oswaldo de Oliveira também uma cuia enorme. As cuias também estão estilizadas em algumas calçadas da cidade.

Ainda ocorre na cidade a Caminhada Ecológica e Cultural da Erva-mate. O percurso de 11 quilômetros é realizado na Rota do Salto D’Água Verde. O evento é organizado pelo Governo do Município de Canoinhas e conta com o apoio da Associação de Cooperação e Apoio ao Turismo Rural (Acatur), Anda Brasil e Caminhos do Contestado.

Além do Sindicato da Indústria do Mate de Santa Catarina, com sede em Canoinhas, o outro órgão que representa o segmento é o Sindicato da Indústria do Mate de Catanduvas. Ainda pela lei 16.722, de oito de outubro de 201, Canoinhas está também consolidada como a Capital Catarinense dos Doadores de Sangue.

O funcionamento do museu da Erva-mate é de segunda a sexta das 9h às 15h ou agendamento pelo telefone: (47) 3622-0609. O parque fica às margens da BR-280.

Sindicato da Indústria do Mate no Estado de Santa Catarina
Três de maio nº 248, Centro, CX.P: 143, 89460-000. Canoinhas/SC
Fone: 47 3622-4292 Fax: 47 3622-4240
E-mail: sindimate.sc@bol.com.br

Sindicato da Indústria do Mate de Catanduvas
Duque de Caxias nº 2939, 89670-000. Catanduvas/SC
Fone: 49 3525-1512 Fax: 49 3525-1512
E-mail: setccar@procenter.com.br

Fonte: Scheila Karina Bockor Bartmann. Dissertação de mestrado. MEMÓRIA SOCIAL E DESENVOLVIMENTO: UMA ANÁLISE DO PROCESSO
HISTÓRICO DE PRODUÇÃO DE ERVA-MATE NO MUNICÍPIO DE
CANOINHAS – SC. Santa Cruz do Sul, julho de 2009. Disponível em http://repositorio.unisc.br/jspui/bitstream/11624/589/1/ScheilaBartmann.pdf. Acessado em 28/03/2016

https://www.youtube.com/watch?v=hJ6ACxnNavI

Paraguai e o Dia Nacional do Tererê

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Segundo a tradição popular paraguaia, o tererê surgiu naquele país durante a Guerra del Chaco. Na ocasião o país enfrentou a Bolívia (1932 a 1935). Para evitar serem descobertos, os soldados não podiam fazer fogo para aquecer água. Sem a fogueira, o exército começou a consumir erva com água fria. Os paraguaios atribuem a vitória na guerra ao tererê por te-los mantido acordados. A outra versão, conta que quando os indígenas faziam grandes viagens levando seu gado, usavam a erva para coar a água bebida dos rios para evitar doenças, utilizando como um filtro.

“Un tereré..., un tereré y me voy” é a letra de una conhecida música de Bohemia Urbana e que foi inspirada na tradicional bebida. Até o nome científico, Ilex paraguariensis, faz referência ao Paraguai. Por tudo isso, em 2011 o Congresso Paraguaio declarou o tererê "Patrimônio Cultural e Bebida Nacional do Paraguai". Ainda foi aprovada lei que instituiu o último sábado de fevereiro como o Dia Nacional do Tererê por meio da lei 4261 de 2011.

Junto com as comemorações do tido “Día Nacional del Tereré” ocorre a Expo Tererê que em 2015 chegou a quinta edição. O evento ocorre sempre na praça da Democracia na capital Assunção e é organizado pela Associação Nacional de Artesãos Produtores do Paraguai com o apoio do Instituto Paraguaio de Artesanato. No evento os visitantes podem apreciar e adquirir todos os elementos indispensáveis para o tererê.

No Paraguai, os principais locais de cultivo da erva-mate ficam localizados nos departamentos de Itapúa e Guairá, seguidos por Alto Paraná e Caaguazú, todos no sul do país, segundo dados do Ministério da Indústria e Comércio.

O tererê é uma bebida refrescante que consiste em uma mistura de água fria com erva-mate e, ervas naturais (ervas medicinais, popularmente chamados de “yuyos”). A bebida típica é consumida em garrafa térmica de couro acompanhada do “guampa", palavra quíchua usada no Cone Sul para a cuia em que se toma o tererê. A garrafa térmica tem ainda barras de gelo.


http://www.paraguay.com/nacionales/una-ruta-turistica-dedicada-a-la-yerba-mate-126335
www.abc.com.py/nacionales/arranco-semana-del-terere-1455740.html

Tererê é patrimônio imaterial do Mato Grosso do Sul

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Desde 2010 a erva-mate tererê virou patrimônio imaterial de Mato Grosso do Sul. O decreto publicado no Diário Oficial do Estado determinou que o tererê de Ponta Porã fosse registrado no Livro de Registro dos Saberes. O decreto atendeu a deliberação do Conselho Estadual de Cultura. Ponta Porã é conhecida como "Princesinha dos Ervais" por ter a história ligada ao ciclo da erva-mate.

O registro de patrimônio imaterial do tererê lembra que é uma tradição passada por gerações e que a "roda de tererê" elimina as diferenças sociais, promove a interação cultural, propicia o diálogo e promove interação. A bebida que mistura água e erva-mate, ganha complementos como hortelã e limão. Com esse reconhecimento, o governo do estado passar a ter a responsabilidade de preservar e incentivar manifestações culturais sobre a erva mate, seja por meio de eventos, artesanato ou produções artísticas.

No livro dos Saberes são inscritos "conhecimentos e modos de fazer enraizados no cotidiano das comunidades". Na deliberação do Conselho Estadual de Cultura consta a influência em relação a Ponta Porã. "(...) Seu consumo no município remonta ao passado, ao surgimento das comunidades de Ponta Porã (Brasil) e Pedro Juan Caballero [Paraguai], que floresceram face ao 'Ciclo da Erva¬Mate', continuando presente nos hábitos da população desta região".

Segundo o  Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, patrimônio imaterial diz respeito a práticas sociais e culturais. O patrimônio histórico é passado de geração para geração.  A criação da Instituição obedece a um princípio normativo, atualmente contemplado pelo artigo 216 da  do Brasil, que define patrimônio cultural a partir de suas formas de expressão; de seus modos de criar, fazer e viver; das criações científicas, artísticas e tecnológicas; das obras, objetos, documentos, edificações e demais espaços destinados às manifestações artístico-culturais; e dos conjuntos urbanos e sítios de valor histórico, paisagístico, artístico, arqueológico, paleontológico, ecológico e científico.

Saiba mais sobre o MS: 
http://www.ms.gov.br/

Araucária + auxilia na colheita da erva-mate

A Araucária+ prevê a criação e capacitação de uma instituição para viabilizar os investimentos em ações que desenvolvam novos e responsáveis usos para o pinhão e a erva-mate, os quais dependem da conservação da floresta para serem produzidos. O objetivo do Araucária+ é articular negócios sustentáveis para promover a conservação da floresta.

Araucária+ é uma plataforma de negócios que visa à geração de benefícios compartilhados em prol do desenvolvimento sustentável e conservação da biodiversidade da Floresta com Araucárias.  A iniciativa se baseia em três frentes: Produção Sustentável, Inovações Relevantes e Conservação da Biodiversidade.

O pinhão é a semente da araucária e serve como fonte de alimento para humanos, animais domésticos e também para a fauna silvestre. Já a erva-mate é uma árvore nativa da Floresta Ombrófila Mista. Devido à importância do pinhão e da erva-mate para a economia regional, a Araucária+ estimula a produção sustentável desses produtos a fim de agregar valor a eles.

Pequenos agricultores colhem a erva-mate que cresce entre os pinheiros, com apoio de duas entidades privadas sem fins lucrativos. Agricultor colhe a erva que nasce entre os pinheiros sem prejudicar a mata. Erva-mate sustentável tem preço 25% maior do que outras na mesma região. Entre as medidas que o agricultor precisa adotar é quanto a extração de erva-mate. Ela não pode acontecer no período da floração, que vai de setembro até dezembro, e as árvores  precisam ficar com, pelo menos, 30% das folhas.

Assim, a iniciativa alia economia e conservação, proporcionando emprego e renda à população e garantindo a conservação das espécies que integram o ecossistema, bem como a manutenção dos serviços ambientais por ele prestados.

O modelo Ecossistema de Inovação Verde foi concebido em 2012. O projeto piloto é desenvolvido desde 2013 e em 2015 a meta foi atender 30 pequenos produtores rurais da região do Planalto Serrano Catarinense, como Lages, Urupema e São Joaquim.

O Araucária+ surgiu com a parceria entre a Fundação CERTI e a Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza. O projeto piloto conta com o apoio da Companhia de Desenvolvimento de Santa Catarina. A Floresta com Araucárias já chegou a ter cerca de 20 milhões de hectares nos três estados do Sul, além de São Paulo, Minas Gerais, Paraguai e Argentina. Hoje existem menos de 3% da sua área original.


Mais sobre Araucária+
http://www.araucariamais.org.br/
http://www.fundacaogrupoboticario.org.br/

A princesinha dos ervais de Mato Grosso do Sul

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Inaugurado no dia 13 de junho de 1997, o museu da Erva Mate está cadastrado no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Possui mais de 3 mil peças históricas como livros, jornais, imagens, objetos de metal, couro, madeira e vegetal. O museu fica no município de Ponta Porã, no Mato Grosso do Sul. Faz divisa com a cidade de Pedro Juan Caballero, no Paraguai.

Réplicas reproduzem como a erva mate era preparada para o consumo nos primeiros anos do século 20. Há também uma cópia da carta de autorização expedida para a exploração da erva-mate pelo Império Brasileiro, assinada por Dom Pedro II. A intenção do idealizador e criador do complexo José Benites Cardenas era retratar a época do ciclo da Erva-mate, principal atividade econômica que impulsionou o desenvolvimento de Ponta Porã e da região de fronteira. A instituição é mantida pela ervateira Santo Antônio, que pertence à Família Benites.

O museu recebeu apoio de famílias fronteiriças com a doação de objetos. Em média o museu recebe cerca de 600 visitantes por mês. A maioria são estudantes, mas já estiveram no local pesquisadores brasileiros e estrangeiros vindos da Europa, Ásia e Estados Unidos. O museu fica na rua Roberto Salomão, 83, no Centro de Ponta Porã.

Além disso, Ponta Porã sustenta o título de Princesinha dos ervais. Considerada o ouro verde da região, o plantio da erva-mate fortaleceu a economia local e desponta como uma das principais exportadoras do Mato Grosso do Sul. A origem de Ponta Porã começa com a formação de um povoado denominado inicialmente Punta Porá, que surgiu dentre os campos de erva-mate. Por isso o apelido de Princesinha dos Ervais, que está evidenciado até mesmo no hino e no brasão da cidade.

A cidade fica na Serra de Maracajú e possui mais de 80 mil habitantes. O município foi criado em 18 de julho de 1912 e em 1943 o presidente Getúlio Vargas criou o Território Federal de Ponta Porã, tendo como capital a cidade de mesmo nome. Em 1946 o território é extinto. Em 1977 é criado o estado de Mato Grosso do Sul, a qual Ponta Porã faz parte atualmente e a capital agora é Campo Grande.

quinta-feira, 24 de março de 2016

Revista íntima

A revista em diferente do ambiente que for realizada, sempre causa reações diversas. Por isso, é plausível proibir a revista íntima de mulheres em empresas privadas e em órgãos e entidades da administração pública. Até porque, o Tribunal Superior do Trabalho entende que se houver revista íntima, expondo o trabalhador a situação vexatória, cabe indenização por danos morais. O jurista Eduardo Pragmácio Filho entende que "a revista a pertences, desde que não cause constrangimentos ao empregado, não é ilegal, podendo, por exemplo, o gerente de uma loja pedir que a vendedora, ao encerrar o expediente, abra a bolsa para verificar se existem peças de roupas ali".

A exceção deve ser para os casos de revista em ambientes prisionais e sob investigação policial, mesmo que possam ser aplicáveis apenas em último caso. A revista intima em presídios aos visitantes deve ser feita apenas em casos de suspeita ou denúncia. Somente utilizar os detectores de metais e de raio-x para o procedimento obrigatório de revista íntima para pessoas que queiram visitar presos em estabelecimentos penais ainda são insuficientes. Os eletrônicos substituem, em parte, a revista íntima, pois a banqueta de raio X detecta objetos metálicos, como explosivos, aparelhos ou chips de celular, armas brancas e de fogo. Por esses eletrônicos ainda não é possível saber se o revistado possui junto ao corpo substâncias ilícitas. 

Na falta de regulamentação em âmbito nacional, a revista pessoal tem gerado procedimentos diversos no país. Para começar a superar algumas revistas vexatórias realizadas em presídios brasileiros é preciso exigir que homens revistam homens, mulheres revistam mulheres. Ainda é necessária a revista íntima manual pois nenhum método garante total certeza e detecção.

A Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos já se manifestou, em 1996, sobre o assunto. A entidade decidiu que a revista íntima é excepcional e somente pode ser feita em último caso. A revista quando for manual e necessitar do desnudamento, precisa ser feita com respeito à dignidade humana, sendo vedada qualquer forma de tratamento desumano ou degradante. Legitimar a revista intima consciente, quando necessária, é em benefício a garantia de segurança de todos, dos que estão fora ou dentro de uma casal prisional. Afinal de contas a intimidade, dignidade, vida privada, valores, pudores, honra e imagem das pessoas são princípios fundamentais.