segunda-feira, 15 de maio de 2017

O Rei da Erva-mate de Venâncio Aires

O primeiro ervateiro de Venâncio Aires é natural de Passo Fundo. Trata-se de  Randolfo Rodrigues Chaves, que nasceu em dois de junho de 1849.  Ele foi proprietário de vastas terras em Vila Santo Antônio, hoje pertencente ao munício de Mato Leitão. Chaves possui grandes ervais, alguns nativos  e que foram ampliados com mudas produzidas na própria propriedade. O empreendedor era também proprietário de um comércio bem estabelecido naquela comunidade. Pelo feito histórico, em 15 de maio de 2017 ganhou nome de rua no bairro Coronel Brito por projeto aprovado pela Câmara de Vereadores de Venâncio Aires.

Por ter sido o primeiro ervateiro era conhecido como “Rei da Erva-mate” ou esmo “número um”. A planta depois depois de beneficiada levava a marca de “Erva-mate Chaves”. A produção era comercializada na região, mas com destaque para Encruzilhada do Sul e Rio Pardo. A produção também chegou a ser vendida para países vizinhos.

Relatos orais passados por familiares que viveram o período da escravidão dão conta de que em sua propriedade, quilombolas eram acolhidos, recebendo abrigo, comida e roupas em troca de trabalho. Segundo relatos, Rondolfo era conhecido por ser um homem justo e agregador com os vizinhos e empregados, além dos próprios escravos que a ele chegavam. Tanto é que Chaves - que  teria herdado terras de seu sogro Faustino Brasileiro Fagundes – distribuía áreas aos escravos fugidos que além chegavam em troca de mudas de erva-mate.

Foi casado com Ana e tiveram cino filhos: Jorge Rodrigues Chaves que era casado com Ana Rosa Fagundes; Rolino Rodrigues Chaves que era casado com Etelvina; Manoel Rodrigues Chaves casado com Alvina; Hiponina Rodrigues Chaves casada com Cantilio Guterres; e, por último, Antônio Rodrigues Chaves, que era casado com Feliciana.

Referencias
Moura, Maria Zulmira Portella de. Venâncio Aires buscando raízes. 2013. Disponível em: <http://www.pmva.com.br/arquivos/58_nucva_buscando_raizes_livro_aberto.pdf>. Acessado em 15 de maio de 2017.

Projeto de lei nº 019, de 27 de abril de 2017. Poder Legislativo. Disponível em: <http://192.168.1.122:8080/sapl/sapl_documentos/materia/1542_texto_integral>. Acessado em 15 de maio de 2017.

domingo, 25 de dezembro de 2016

Tráfico de pessoas

O comércio de seres humanos usado geralmente para fins de escravidão sexual, trabalho forçado ou exploração sexual comercial, tráfico de drogas, mas também para a extração de órgãos ou tecidos. Essas pessoas ainda são usadas para barrigas de aluguel e remoção de óvulos. Se sabe que o tráfico humano movimenta todos os anos bilhões de dólares no comércio internacional. Alguns afirmam que essa é uma das atividades de maior crescimento das organizações criminosas transnacionais.

Desde 25 de dezembro de 2003 está em vigor o Protocolo para a Prevenção, Repressão e Punição ao Tráfico de Pessoas, coordenado pela Nações Unidas. O documento é o primeiro instrumento global legalmente vinculativo sobre o tráfico há mais de meio século. O protocolo do tráfico possui 166 partes. O documento facilita a cooperação internacional na investigação e repressão desse tipo de crime.

Além do tráfico de mulheres que geralmente presta a escravidão sexual e como objeto sexual, o tráfico de crianças é igualmente detestável e inaceitável. A exploração sexual comercial de crianças pode assumir muitas formas, inclusive forçando uma criança à prostituição. A exploração infantil também pode envolver trabalho ou serviços forçados, escravidão ou práticas similares à escravidão, a servidão, a remoção de órgãos, adoção internacional ilegal, o tráfico para casamento precoce, recrutamento como soldados, para uso na mendicância ou como jogadores de futebol.

Mas ainda, no passado, os escravos eram capturados por grupos inimigos e vendidos como mercadoria. Hoje, a pobreza que torna populações socialmente vulneráveis garante oferta de mão de obra para o tráfico. A demanda por essa força de trabalho sustenta o comércio de pessoas. Esse ciclo atrai intermediários, que em determinados lugares são chamados de “gatos”, “coyotes” ou “animais”.
Lutar contra as regras do jogo, de um jogo sem regras, para garantir um mínimo de dignidade a milhões de seres humanos é uma tarefa árdua. Mas segue sendo tão necessária quanto no tempo dos abolicionistas, que lutaram contra o tráfico transatlântico e a sociedade escravagista.

domingo, 18 de setembro de 2016

Tererê Club

Uma loja de bebidas em Goiatuba em Goiás inovou e oferece um site focado na comercialização de produtos ligados a tererê. Os produtos vão desde camisetas, bonés, porta ervas-mate, bombas, garrafas térmicas, guampas e pacotes de erva-mate. A loja que comercializa, via internet, para todo o Brasil, fica na avenida Presidente Vargas, no centro da cidade. A entrega dos produtos é feita pelos Correios nas modalidades PAC e Sedex. Tendo por base o Código de Defesa do Consumidor, o Tererê Club criou uma política de devolução e reembolso.

Tererê Club. Disponível em: http://www.terereclub.com.br/. Acessado em 18 set. 2016.

Tererê delivery

O hábito de tomar o tererê é bastante forte no Paraguai. Para muitos paraguaios, o tererê é considerado tão importante quanto as danças folclóricas do país.  A entrega a domicilio de erva-mate não é uma novidade no Paraguai. Mas a novidade local é que o produto passou a ser entregue já pronto para ser consumido, ou seja, agregado com as plantas medicinais yuyos, bombas, guampas e água potável.

A entrega de tererê já pronto para consumir cresce de forma exponencial nas capitais dos departamentos. É um hábito muito grande em Assunção, capital do país. Lá existem locais onde é possível alugar tanto a jarra de água, quanto a cuia e a bomba, junto com a erva-mate. O conjunto custa cerca de cinco mil guaranis, a moeda local - equivalente a cerca de R$ 2,50. No pacote ainda está incluso a cadeira.
Na Cidade do Leste, capital do departamento de Alto Paraná, o tererê delivery também ganha espaço no mercado. São seis as maiores empresas que atuam nesse ramo. Alguns dos consumidores mais assíduos desse mercado são os cambistas, taxistas, funcionários da Aduana, agentes da polícia turística e da municipalidade da cidade.

DASSIE, César. Tereré e chimarrão carregam história, cultura e tradições. Globo Rural:  17/07/2016.
http://g1.globo.com/economia/agronegocios/globo-rural/noticia/2016/07/terere-e-chimarrao-carregam-historia-cultura-e-tradicoes.html. Acessado em 18 de set. 2016.

El delivery de tereré va ganando espacio en el mercado esteño. Disponível em: <http://www.ultimahora.com/el-delivery-terere-va-ganando-espacio-el-mercado-esteno-n582785.html>. Acessado em 18 de set. 2016.

Matchê e Mate Shop

A comercialização de erva-mate pela internet se tornou um empreendimento lucrativo para pelo menos dois sites. O mais tradicional no segmento é Clube do Matchê, de São Leopoldo, que entrou em operações no primeiro semestre de 2015. Já o outro – o Mate Shop - é mais recente e está centrado na cidade de Arvorezinha.

Já no primeiro ano em que o Clube do Matchê tomou forma os pacotes de erva-mate e outros produzidos no Rio Grande do Sul passaram a chegar tanto no Brasil, quanto no exterior. A ideia de criação desse clube de assinantes começou com os amigos Genaro Viera e Roberto Vieira. Os dois jovens empresários gaúchos passaram um período no exterior. Genaro nos Estados Unidos e Roberto na Austrália. O Clube do Matchê foi lançado em uma página no Facebook, como o sucesso havia sido grande, logo foi criado o site.

 No segundo semestre de 2015, o clube contava com mais de 72 mil, de 45 países diferentes. A cada novo kit que os idealizadores do Clube do Matchê preparam leva itens como pé de moça, pipoca doce, rapadura, doce de leite e torrones. Os módulos incluem uma revista com informações sobre as ervas enviadas, receitas, receitas, calendário das principais feiras e eventos do país e artigos relacionados à cultura e turismo.

Já em Arovorezinha surgiu outro empreendimento focado na venda de erva-mate pela internet. O chamado Mate Shop descreve em sua fanpage no Facebook que a loja virtual foi fundada em 19 de setembro de 2015. Ainda na fanpage é descrito que “A Mate Shop é a primeira loja do Brasil especializada em erva-mate e seus complementos!”. Dizeres parecidos ainda estão descritos no histórico do blog: “Mate Shop é o primeiro e-commerce do Brasil especializado no comércio de erva-mate”. Porém, nesse aspecto, é possível considerar que o mais correto seria a loja com o maior número de marcas.

No momento a loja virtual do Mate Shop está fora do ar. Desde o dia 16 de setembro de 2016 a loja passa por adaptações. “Nesta nova Mate Shop que está surgindo, garantimos um atendimento mais humanizado, descontos e promoções exclusivos, além da facilidade em realizar pedidos pela loja virtual, com o sistema OneCheckout (Finalização de pedido em uma única pagina). Tem mais, buscamos também parceiros para oferecer fretes ainda mais acessíveis para qualquer lugar do Brasil, com segurança e agilidade.” afirma o comunidade da direção do Mate Shop. No blog ainda são abordados assuntos de interesse dos mateadores e dúvidas sobre a cultura.

Loja virtual Mate Shop. Disponível em: https://www.facebook.com/LojaVirtualMateShop/. Acessado em 17 set. 2016.

Blog Mate Shop. Disponível em: http://www.blogmateshop.com/. Acessado em 17 set. 2016
Clube do Matche. Disponível em: <http://www.clubedomatche.com.br/>. Acessado em 17 set. 2016

CARVALHO, Celina. Venda de erva-mate pela internet conquista assinantes em todo o Brasil. sul21: 20/jun/2015Disponível em: <http://www.sul21.com.br/jornal/venda-de-erva-mate-pela-internet-conquista-assinantes-em-todo-o-brasil/>. Acessado em 18 de set 2016.

KREIBICH, Gicele. Clube do Matchê – o Rio Grande do Sul pelo mundo. Clube do Matchê: dezembro de 2015. Disponível em: <https://issuu.com/clubedomatche/docs/revista_matche_dezembro_3>. Acessado em 18 de set 2016.

UCHA, Danilo. Matchê. Jornal do Comércio: 2 de junho de 2015. Disponível em: <http://edicao.jornaldocomercio.com.br/jornal/jcomercio/2015/06/02/1707/pdf/pe02001.pdf>. Acessado em 18 set 2016.

sábado, 17 de setembro de 2016

Uma guerra pelos imensos ervais

A região rica em erva-mate e madeira, na divisa dos estados do Paraná e de Santa Catarina, gerou um conflito armado travado entre outubro de 1912 a agosto de 1916. A chamada Guerra do Contestado, em quatro anos, deixou nove mil casas queimadas e até 20 mil pessoas mortas. Esse conflito armado foi motivado pela disputa territorial pelos ervais, entre os estados do Paraná e Santa Catarina. A erva-mate foi a atividade econômica extrativa mais importante para o sul do vale do Rio Negro no final do século 19 e no início do século 20.

A indefinição dos limites territoriais entre Santa Catarina e Paraná vinha desde o Império, e até a Argentina pleiteava a posse de áreas dos dois estados. A guerra começou pequena, com um grupo reduzido de moradores desses campos que na época eram chamados de sertão.

Os rebeldes chegaram a se espalhar por uma área equivalente ao tamanho de Alagoas. Os chamados caboclos ou sertanejos enfrentaram as forças policiais e militares dos dois estados e do Exército. Os insurgentes eram movidos por motivos que iam do messianismo à luta pela terra. Eram contra o poder público e os coronéis locais. Reagiam ao impacto da construção de uma estrada de ferro, que os expulsou da terra onde viviam.

Os insurgentes queriam o fim das empresas que tinham se apoderado das plantações nativas da erva-mate. Eles mesmos queriam voltar a negociar a erva-mate antes da formação dessas grandes empresas, como aponta Mafra (2008): “A questão do conflito entre monopólios paranaenses e catarinenses no Planalto Norte indica a criação e o desenvolvimento de poderosas empresas em ambos os estados”.

A guerra foi encerrada no inverno de 1916 com a captura dos rebeldes. Já em outubro daquele ano veio a assinatura do acordo de limites entre Santa Catarina e Paraná. Pressionados pelo presidente Wenceslau Braz, cada um dos dois estados teve que ceder um pouco. A partilha, porém, foi vista como favorável aos catarinenses, que ficaram com 28 mil dos 48 mil quilômetros quadrados da área contestada.

BELTRÂO, Tatiana. Há 100 anos, o fim da sangrenta Guerra do Contestado. Agência Senado: 01/07/2016. Disponível em: <http://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2016/07/01/ha-100-anos-o-fim-da-sangrenta-guerra-do-contestado>. Acessado em 17 set. 2016.



MAFRA, Dias Antonio. Aconteceu nos ervais: A disputa territorial entre Paraná e Santa Catarina pela exploração da erva-mate – região sul do Vale do Rio Negro. Canoinhas, 2008. Dissertação (Mestrado em Desenvolvimento Regional), Universidade do Contestado. Disponível em: http://www.unc.br/mestrado/editais/dissetacao_mafra_seguranca.pdf. Acessado em 26 mar. 2016.

O primeiro chá mate concentrado do Brasil

A partir de pesquisas realizadas por um grupo de empresários em parceria com a Universidade Federal de Santa Catarina, se deu início em 2010, a um projeto de pesquisa que tinha o intuito de desenvolver novos produtos naturais à base de erva-mate. Os produtos desenvolvidos fortaleceram as ações da Indústria do Mate do Brasil (Matebras), instalada desde 2005 em Catanduvas, também em Santa Catarina.

Atualmente produz e comercializa o concentrado para chá-mate com a marca Mate Brasil, um produto natural e versátil, podendo ser consumido com água, leite, quente ou frio, em forma de chá ou suco, simplesmente misturado ou batido no liquidificador, entre outras maneiras. O Chá Mate Brasil é tido como uma bebida energética com fibras alimentares, substâncias antioxidantes, estimulantes e minerais. O slogam do produto é “O primeiro chá mate concentrado do Brasil”.

Segundo o informe técnico da empresa, o Chá Mate Brasil é 100% natural sem adição de conservantes e não contém glúten. O produto ainda, de acordo com a empresa, é feito de folhas selecionadas de erva-mate, mas acima de tudo, amplia o seu “impacto positivo sobre o aspecto ecológico e socioeconômico da região”.

Outro produto desenvolvido pela empresa é o Ilex Sports que, segundo a empresa, serve como repositor hidroeletrolítico para atletas. De acordo com a organização, o produto possui componentes que são absorvidos de maneira mais eficiente pelos tecidos a fim de melhorarem a hidratação após o exercício físico. É indicado que o produto possui a reposição de água e eletrólitos, auxiliando para um bom desempenho físico. O produto é vendido em embalagens de 270 e 500 mililitros.

Sobre a Matebras. . Disponível em: <http://matebras.com.br/empresa>. Acessado em 17 set. 2016.

Informa técnico Chá Mate Brasil. Disponível em: <http://matebras.com.br/downloads/matebrasil-informe-tecnico.pdf>. Acessado em 17 set. 2016.

Bebida Hidroeletrolítica para Atletas. Disponível em: <http://matebras.com.br/ile-x-sports/bebida-hidroeletrolitica-para-atletas-270ml>. Acessado em 17 set. 2016.